Literaturas do Mundo na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Hungria disfórica, Portugal solidário

Com a coordenação do Prof. Doutor Ernesto Rodrigues

Hungria disfórica, Portugal solidário
Lemos n’ Os Lusíadas, sobre D. Henrique, pai da casa real portuguesa: “Destes Anrique (dizem que segundo / Filho de um Rei de Hungria experimentado)” (canto III, 25: 1-2); ou: “Olha estoutra bandeira, e vê pintado / O grão progenitor dos Reis primeiros. / Nós Húngaro o fazemos, […].” (c. VIII, 9:1-3)

Diz Antero de Quental, em carta de 24 de Junho de 1886 a Tommaso Cannizzarro: “Encontrei recentemente com prazer o seu nome, na dedicatória da tradução alemã das Nuvens do Petöfi pelo seu amigo Meltzl. Para mim foi aquele livrinho uma verdadeira revelação, pois só de nome conhecia o Petöfi e só como poeta político. Que admirável poeta lírico! Que profundidade e originalidade, em tão artística concisão ! Compreendo o entusiasmo de V. e dos outros Petöfianos, pois eu mesmo, se o estudo cada vez mais absorvente da Filosofia me não afastasse da poesia e até das letras, quereria também fazer-me Petöfiano.”

Assim, nas Obras Completas de Antero, encontramos sextilha “Do poeta húngaro Sándor Petöfi”. Que anteriano se preocupou com este poeta nacional (1823-1849) e soldado caído em batalha? Também caído em batalha, Balassi Bálint é exemplo de intelectual comprometido com o destino da Europa.

Sobre Balassi Bálint:
O século XVI húngaro, entre baladas populares, poemas épicos, propaganda aristocrática e reformista e de assunto amoroso, resume-se subida mente em Balassi Bálint (Zólyom [hoje, Zvolen], 1554), um nobre de vida romanesca e destino às mãos do Turco, pernas ceifadas por bala de canhão no assédio de Esztergom ( 30 de Maio de 1594).
Fez estudos superiores em Itália, e, da Transilvânia à Polónia, ao serviço de príncipes, este poliglota que falava nove línguas dá mostras de bravura militar, mas falha nas relações com as mulheres. Inconstante, dele salientamos, afora dramaturgia amorosa de que se fez pioneiro na sua terra (Szép Magyar Comœdiája, Bela Comédia Húngara, 1588) e paráfrases de salmos ou cantos heróicos, os ciclos amorosos de Poemas a Júlia (em que se disfarça Anna Losonczi, casada com um oficial superior e mãe de vários filhos) e Poemas a Célia, homenagem a Anna Szárkándy, raro momento de felicidade que viveu durante seis meses.

Eis alguns casos para conversarmos sobre Hungria e Portugal, fazendo um balanço de relações seculares.

 

Nótula biobliográfica de Ernesto Rodrigues:

Ernesto Rodrigues (1956) é Professor Auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde se doutorou (1996). Antigo jornalista, leitor de Português na Universidade de Budapeste (1981-1986), faz crítica literária regular desde 1979.

Poeta e ficcionista, realcem-se os contos e novelas de A Flor e a Morte (1983) e Histórias para Acordar (1996), a par dos romances A Serpente de Bronze (1989) e Torre de Dona Chama (1994). Vem editando autores portugueses do séc. XIX – Herculano, Júlio Dinis, Camilo e Ramalho Ortigão, sobretudo. Outros títulos: Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal (1998), Cultura Literária Oitocentista (1999), Visão dos Tempos. Os Óculos na Cultura Portuguesa (2000), Verso e Prosa de Novecentos (2000), Crónica Jornalística. Século XIX (2004).

Tradutor de ficção e poesia húngaras, desde 1983, deve-se lhe a maioria de títulos editados em Portugal. Como introdução a esta literatura sobre o Danúbio, veja-se a sua Antologia da Poesia Húngara (2002).

SALA 5.2 | 22 DE JANEIRO

QUINTA-FEIRA | 18h00

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